A estreia do novo uniforme reserva da Seleção Brasileira, na derrota por 2 a 1 para a França, nesta quinta-feira (26), foi marcada não apenas pelo resultado em campo, mas por uma grande repercussão fora dele — e também por um contexto delicado vivido pela fornecedora de material esportivo.
Estreia histórica e ousada
Pela primeira vez, o Brasil entrou em campo com uma camisa estampando o símbolo “Jumpman”, silhueta do ídolo do basquete Michael Jordan. A novidade faz parte da parceria com a Jordan Brand, divisão da Nike, tornando a Seleção a primeira do mundo a adotar o ícone em um uniforme oficial.
O novo modelo aposta em um visual moderno, com predominância do azul escuro e detalhes em preto, verde-água e amarelo. O escudo da CBF aparece centralizado, enquanto o Jumpman ganha destaque no peito.
Na parte interna da gola, a frase “Vai, Brasa” foi escolhida como slogan da campanha — decisão que rapidamente virou alvo de críticas.
Repercussão negativa e críticas nas redes
O lançamento dividiu opiniões. Muitos torcedores criticaram a presença de um símbolo ligado ao basquete norte-americano em um uniforme da Seleção Brasileira, apontando perda de identidade.
Outro ponto bastante questionado foi o slogan “Vai, Brasa”, considerado artificial e distante da cultura popular do torcedor brasileiro.
O vídeo de lançamento também gerou polêmica. Internautas apontaram que a campanha retrata o Brasil de forma estereotipada, focando apenas em comunidades carentes, além de um mascote criado por inteligência artificial que chamou atenção por apresentar um erro visual — com três pés.
Além disso, houve críticas ao preço da camisa, próximo de R$ 800, considerado inacessível para grande parte da população.
Ratinho detona ao vivo
O apresentador Ratinho também criticou duramente o uniforme durante seu programa no SBT.
Ele questionou o uso do termo “Brasa” e a escolha de homenagear Michael Jordan, defendendo que ídolos do futebol brasileiro deveriam ser priorizados, como Pelé e Garrincha.
Assista o comentario do apresentador Ratinho ao vivo em seu programa aqui
Momento delicado da Nike
A polêmica acontece em um período de queda da Nike no mercado. Nos últimos cinco anos, o valor das ações da empresa caiu significativamente, passando de cerca de 179 dólares para pouco mais de 52 dólares.
Os resultados financeiros também mostram retração: o lucro caiu de 5,7 bilhões para 3,2 bilhões de dólares, enquanto as vendas digitais chegaram a recuar até 26%.
Diante desse cenário, a aposta em uma abordagem mais ousada e voltada ao conceito global e ao streetwear pode ser vista como uma tentativa de reposicionamento da marca.
Estratégia ou erro de leitura?
Segundo uma das designers envolvidas no projeto, a proposta era representar o “Brasil em sua forma mais pura”, mantendo elementos tradicionais e inovando no conceito — incluindo o uso do termo “Brasa”.
No entanto, a reação negativa de parte do público indica um possível desencontro entre a estratégia da marca e a percepção do torcedor brasileiro.
Debate aberto
Entre inovação e rejeição, a nova camisa da Seleção Brasileira já se tornou uma das mais debatidas dos últimos anos.
Se por um lado a iniciativa coloca o Brasil em destaque global e aproxima o futebol de outras culturas, por outro levanta questionamentos sobre identidade, representatividade e conexão com o torcedor.
No fim, a discussão vai além da camisa — e expõe o desafio de equilibrar tradição e modernidade em um dos maiores símbolos do esporte mundial.
Rádio Caparaó com informações da Massa FM/ Senso Crítico / Metropoles

