Ri Happy busca renegociar dívida de R$ 827 milhões; Estrela também enfrenta crise financeira
Diferentemente da recuperação judicial, processo permite negociação direta com os credores
Esta segunda-feira (19/10) começou com mais um acréscimo à lista de grandes varejistas brasileiras em recuperação extrajudicial. A rede de lojas de brinquedos Ri Happy formalizou o pedido em busca de renegociar R$ 827,4 milhões.
O pedido envolve as empresas Ri Happy, Brincar Marcas e Participações, Drh Casa de Festa, New Toys Comércio, Distribuição e Importação, Partout Administração de Franquias e Bens e Pbkids Brinquedos.
Diferentemente da recuperação judicial, que é um processo mediado pela Justiça, a extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com seus credores. A estratégia financeira não afetará o funcionamento das lojas físicas e das vendas digitais, segundo o portal Neofeed.
A abertura do processo ocorre menos de dois meses após a Ri Happy anunciar a venda para a sociedade anônima BluSun Capital Partners. Com a operação, o executivo Héctor Núñez, que já havia comandado a varejista infantil, retornou ao cargo.
Criada em 1988 em São Paulo, neste ano a Ri Happy reformulou sua estratégia de mercado, inaugurando espaços de interação e oferecendo atividades para crianças em suas unidades.
Ela não é a primeira empresa do segmento a reconhecer apuros financeiros neste ano. Em agosto, a fabricante de brinquedos Estrela também entrou em recuperação judicial.
Uma combinação de fatores pressiona as finanças de varejistas brasileiras nos últimos anos, pressionadas simultaneamente pelo custo elevado do dinheiro, pelo crédito mais seletivo, pelo consumidor endividado, pelas margens apertadas e pela necessidade permanente de capital de giro, segundo coordenador do monitor da onsultoria especializada em reestruturação empresarial RGF, Claudio Damasceno
“Muitas empresas cresceram ou sustentaram suas operações durante anos com forte dependência de dívida e rolagem de crédito. Com o dinheiro caro e os bancos mais rigorosos, especialmente depois do caso Americanas, esse modelo ficou muito mais difícil de sustentar”, ponderou, ao comentar a recuperação judicial do grupo Casas Bahia, também protocolocada neste ano.
Grupo Estrela apresenta plano de recuperação judicial para dívidas de R$ 109,1 milhões
Fabricante de brinquedos alega mudanças no consumo infantil, pressionado por plataformas digitais e jogos online, juros elevados e crédito restrito
A fabricante de brinquedos Estrela protocolou seu plano de recuperação judicial na 1ª Vara Cível da Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais.
O projeto para reestruturar um passivo de R$ 109.178.016,38 foi enviado à Justiça em 14 de agosto. Em maio deste ano, a marca informou ao mercado sobre a reestruturação. Dentre os motivos apresentados pelo grupo estão mudanças no consumo infantil, pressionado cada vez mais por plataformas digitais e jogos online, além de juros elevados e crédito mais restrito.
A fabricante criou brinquedos tradicionais no imaginário brasileiro, como o jogo de tabuleiro Banco Imobiliário, lançado em 1944, além da Suzi, resposta brasileira à boneca americana Barbie, e o jogo Detetive, que transformou crianças em investigadores improvisados obcecados em descobrir "quem matou", "com qual arma" e "em qual lugar". As bonequinhas "Fofolete" vinham em pequenas caixas de fósforo.
Apesar do plano de recuperação judicial, a Estrela continua em operações. A reestruturação é utilizada justamente para impedir que companhias entrem em falência, mantenham suas atividades e renegociem dívidas com credores.
Em meio às dificuldades financeiras, a fabricante de brinquedos deixou de publicar balanços trimestrais desde março de 2025.
Fundada em 1937, a Estrela atravessou décadas como uma das marcas mais conhecidas da indústria nacional de brinquedos e ajudou a moldar o imaginário infantil de diferentes gerações de brasileiros.
A empresa começou como uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira e se transformou, ao longo do século 20, em um dos maiores símbolos do setor no país. Foi também uma das primeiras companhias brasileiras a abrir capital, em 1944.
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